CENTRO NACIONAL DE PESQUISA DO PANTANAL

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Mato Grosso do Sul é um dos Estados da Federação que menos investe em C&T. Segundo o levantamento realizado em 2009 pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, Mato Grosso do Sul perde somente para os Estados do Amapá, Rondônia, Roraima, Alagoas, Piauí e Sergipe. Na região Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul é o Estado que menos investe em C&T. Quem sabe esta seja a “explicação técnica” do porque da escolha do Ministério da Ciência por Mato Grosso para sediar o CNPP – Centro Nacional de Pesquisa do Pantanal.

No balanço geral dos Estados, a partir do levantamento realizado pelas Secretarias Estaduais de Ciência e Tecnologia, publicado em 2009 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, os investimentos em C&T no Centro Oeste em 2006 foi de R$ 66.483,3 milhões; em 2007 alcançou R$ 71.661,4 milhões e em 2008 chegou aos R$ 143.748,3 milhões. O Distrito Federal investiu em 2008 R$ 68.504,1 milhões, Goiás ficou em segundo lugar nos investimentos com R$ 26.589,8 milhões, Mato Grosso investiu R$ 36.190,3 milhões e Mato Grosso do Sul foi o Estado que menos investiu, com R$ 12.464,0 milhões. (acesse htpp://www.mct.gov.br/index.php/content/view/8842.html).

Supostamente donos da verdade, num típico raciocínio de formiga, alguns técnicos de Mato Grosso do Sul fizeram duras críticas quanto a criação do CENTRO NACIONAL DE PESQUISA DO PANTANAL, que acaba de ser instituído pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) com um significante aporte financeiro previsto NO PPA – 2008/2011(veja artigo abaixo).

Segundo “cabeças coroadas” haveria uma sobreposição de ações entre o CPP – Centro de Pesquisas do Pantanal (uma ONG) e o INPP.  Não vejo assim. Na verdade, o que estão em jogo são os recursos que serão destinados à região pelo Governo Federal. Algumas instituições públicas e Ong´s que atuam no Pantanal estão prevendo um significativo corte de recursos destinados às suas atividades.

Como pesquisador, espero que a criação do CNPP traga profundas mudanças nos critérios nos financiamentos do MCT aos projetos desenvolvidos na região pantaneira. Que os projetos a serem financiados sejam criteriosamente selecionados quanto aos seus méritos (técnico e científico) e pela qualidade dos seus pesquisadores. Esperamos que haja transparência no processo seletivo das propostas, uma maior agilidade na liberação dos recursos, um maior controle nos investimentos junto às instituições apoiadas e, sobretudo, um criterioso sistema de monitoramento dos resultados dos projetos financiados.

Os “nanicos de pensamento”, na teoria, defendem a manutenção do “trabalho em rede” do CPP, mas na prática postulam divisões geopolíticas e choram os recursos que deixarão de ser aportados em suas contas. As redes, quando bem administradas, poderão trabalhar em perfeita sintonia com o CNPP. Aliás, as redes existem para atender as necessidades de uma região e não de instituições e pesquisadores.

A escolha da UFMT como sede do CNPP, questionado pelos opositores, tem seus méritos. Trata-se de uma instituição renomada e comprometida com resultados. Tem visão produtivista e não lesionada quanto à conservação da natureza. Forma massa crítica de qualidade e influenciam políticas públicas. Faz investimentos e mostra os seus resultados. Que sirva de parâmetro às instituições inconformadas com a escolha da UFMT em sediar o CNPP.

Mais uma vez Mato Grosso do Sul expõe suas fragilidades administrativas e incompetência política para atrair investimentos - desta vez em Ciência e Tecnologia. O quadro é compreensivo: os raríssimos eventos científicos em nosso Estado, só existem pela determinação isolada de alguns pesquisadores e instituições. Os intercâmbios internacionais estão desaparecendo por falta de investimentos, e só são mantidos graças às relações pessoais dos pesquisadores. As universidades públicas e privadas recebem “migalhas” do órgão de fomento do Estado, que por sua vez não consegue sensibilizar seus “dirigentes políticos” a ampliar os investir para o desenvolvimento tecnológico deste Estado. O número de bolsas de Mestrado e Doutorado é irrisório frente à procura.

Resultado: Mato Grosso do Sul esta entre os Estados que menos investem em C&T e na formação e capacitação de jovens pesquisadores. É muito triste ver o grande número de pesquisadores (mestre e doutores) deste Estado, abandonar seus projetos por falta de incentivos e terem que migrar para outros Estados na busca de oportunidade de trabalho.

Parabéns Mato Grosso. Parabéns UFMT. Desejo sucesso ao CNPP/MCT e aos seus futuros gestores. Que o Pantanal não seja mais utilizado como instrumento de extração de recursos para atender às famigeradas “redes de interesses”, no mínimo duvidosas. Que os verdadeiros pesquisadores que atuam no Pantanal, tenham dias mais felizes com o CNPP/MCT. 

Resta-nos uma pergunta: o que acontecerá com o Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal (CPAP – Embrapa)? Haveriam sobreposições das ações?

 

Primeira unidade de pesquisa do MCT no Pantanal terá sede em Cuiabá

O Centro Nacional de Pesquisa do Pantanal terá como sede a capital mato-grossense, Cuiabá. A Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) cedeu, em regime de comodato, um terreno de 20 mil metros quadrados, dentro do campus, onde será erguido o edifício, que terá o projeto arquitetônico ecologicamente sustentável. "Isso significa que o prédio será construído de modo a reaproveitar, por exemplo, a água e o lixo, diminuindo o impacto no meio ambiente" explica Maria Luiza Alves, coordenadora Geral de Gestão de Ecossistemas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O centro será a primeira unidade de pesquisa do MCT no bioma do Pantanal e é uma ação do Plano Plurianual (PPA) 2008-2011, que prevê a criação de um instrumento de estudo e desenvolvimento científico na região. O objetivo é promover a formação de redes temáticas, articulando órgãos de fomento, instituições de ensino e pesquisa governamentais ou privadas, assim como empresas e organizações da sociedade civil. Tudo isso sem esquecer a formação de recursos humanos especializados.

Além disso, o centro implementará ações estratégicas, coordenará projetos de pesquisas nas diversas áreas temáticas voltadas para o bioma Pantanal, organizará um banco de dados sobre as informações geradas a partir dos trabalhos científicos e tecnológicos e promoverá a capacitação de recursos humanos e a disseminação de conhecimento.

Para isso, foram reservados R$ 8 milhões para sua construção e implementação até 2011. "Para este ano estão destinados R$ 1,5 milhão", destaca Maria Luiza Alves. A UFMT será responsável pela licitação da obra, mas os recursos serão do MCT. (Fabio Lino - Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/74028.html/ acessado em 03/02/2010

 

 

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quinta 04 fevereiro 2010 00:46



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